O motivo do título se chamar “Nós A Gramática e o conhecimento" representa o afastamento entre esses três pólos. Outra coisa clara é que essa dissertação não tem intuito de demonizar a Gramática, ela busca atingir através da argumentação: As formas em que ela esta sendo usada, as suas contradições como teoria, os discursos usados por quem domina a Gramatica Normatica nas relações de poder entre os indivíduos e também a sua função de hierarquizar o conhecimento, partindo da perspectiva do Filosofo Michel Foucault e o lingüista Marcos Bagno.
Para ilustrar melhor, o Doutor em lingüística pela USP e escritor Marcos Bagno apresenta uma proposta moderna e ousada: "substituir a velha análise lingüística da Gramática Tradicional (GT), que domina os livros escolares com uma pletora de regras para serem decoradas, por um método construtivo de pesquisa que transcenda os conceitos de “certo” e “errado” em busca de uma comunicação pragmática. Assim, a interpretação de textos e a fruição das possibilidades que a língua oferece como instrumento de comunicação deve ser colocada à frente dos cansativos exercícios de análise sintática e morfológica que quase sempre provocam nos alunos uma aversão ao estudo de sua língua nativa". Essa ideia de adotar a Gramática Descritiva é antiga e também esta presente no Romantismo, José de Alencar criticou a Gramática Normativa em defesa da Descritiva. O movimento Modernista sofreu perseguições de escritores conservadores, Carlos Drummond de Andrade não era reconhecido como literário e filosofo por usar uma escrita mais popular, como por exemplo, o poema: "Tinha uma pedra no meio do caminho" foi duramente criticado, ate hoje, as instituições não adotam algo que parece ser obvio. Mario de Andrade prometeu e não cumpriu escrever uma obra da forma que os brasileiros falam, também trabalhando a idéia desse afastamento.
Partindo para Analise do Discurso do Filosofo moderno Michel Foucault as escolas que continuam adotando a Gramática Normativa que criam verdades e impõem a maneira certa e errada de se escrever, quando na verdade é relativo, criando então relações de poder entre os indivíduos: Os que dominam a Gramática Normativa e os que não dominam, mesmo ambos falando a mesma língua. O que seria uma ponte entre o conhecimento e as pessoas passa a ser um critério de segregação e hierarquização do conhecimento. Se tiver algum erro ortográfico nesse texto talvez se perca toda a credibilidade, pondo em duvida tudo àquilo que foi apresentado. Esse discurso de invalidar pessoas que escrevem como falam, é uma relação de poder presente nos nossos discursos formados no conservador sistema educacional.

Em suma, construir uma auto-critica e diminuir a fobia ao coloquial nos ajuda a entender a expressão, o pensamento do proximo e que a gramatica não seja uma barreira para a difusão do conhecimento.Quando vemos alguém “escrevendo errado” seja no Facebook ou na vida real, qualquer discurso que faz uma critica a esse individuo esta diretamente dialogando com tudo que foi dito aqui, não existe forma correta de falar isso é uma imposição do poder para legitimar a hierarquização do conhecimento.

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