Sobre o que virá

Sobre o que virá

        Este blog é conduzido por dois graduandos de primeira viagem, isto é, questionáveis, que compartilham o propósito de utilizar esta plataforma como ferramenta de analise e discussão de seus textos, e assim, estudo.
        Os textos, já produzidos num âmbito de pesquisa, análise e discussão, buscam a evasão de qualquer superficialidade que não proposital, não comunicada e prejudicial às conclusões. Buscam, não sempre alcançam, pois seus autores são passivos de preconceitos e tendencias, afinal, são, além de seres humanos, graduandos xucros. Assim sendo, é de extremo isentivo, por meio dos comentários, a apresentação de qualquer critica argumentada ou dúvida, mesmo que pequena, ocorrida do ocasional leitor.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Re.a.ci.o.ná.rio


“adj (reação+ário) 1. Pertencente ou relativo ao partido da reação ou ao seu sistema. 2. Que se opõe às ideias políticas de liberdade individual e coletiva; retrógrado. sm Sectário da reação política ou social; homem antiliberal.”


Essa é a definição de re.a.ci.o.ná.rio encontrada num dicionário atual e onde, ainda assim, crua, acaba possibilitando equívocos em contextos históricos diferentes, já que a mesma palavra pode ser usada como característica de vários ideais, contanto que retrógrados, opostos aos planos vigentes.

No século XVIII, era usada para nomear o âmbito contrário à Revolução Francesa, os ditos reacionários defendiam a volta ao Ancien Régime, sistema aristocrático que desenvolveu-se  ao fim da Idade Média e também dividiu a sociedade francesa em três estados: o primeiro, representado pelo clero, o segundo, pela nobreza, e um terceiro, pela burguesia e os camponeses, esse, sendo o mais desafortunado às decisões impostas pelos outros dois. Logo, ao termos que o reacionário é aquele com sentido a um estado anterior, também temos que o clero e a nobreza daquele século possuíam tal ideal retrógrado, já  que a “Liberté, égalité, fraternité”  favorecia apenas ao  terceiro estado e principalmente a burguesia.

No séc. XIX, não só a aristocracia feudal arruina-se com a revolução, a influencia do crescente liberalismo e capitalismo industrial dá origem a uma nova burguesia que domina a revolucionária do século passado. Em O Manifesto Comunista,  Marx e Engels julgam como reacionárias várias das ideologias socialistas derivadas dessa pequena-burguesia dominada que almeja um fim egocêntrico e não de fato igualitário.


“As classes médias - pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos, camponeses - combatem a burguesia porque esta compromete sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da História. Quando são revolucionárias é em conseqüência de sua iminente passagem para o proletariado; não defendem então seus interesses atuais, mas seus interesses futuros; abandonam seu próprio ponto de vista para se colocar no do proletariado.”

Burgueses e Proletários, O Manifesto Comunista, 1848.




“Livre câmbio, no interesse da classe operária! Tarifas protetoras, no interesse da classe operária! Prisões celulares no interesse da classe operária ! Eis sua última palavra, a única pronunciada seriamente pelo socialismo burguês.
Ele se resume nesta frase: os burgueses são burgueses - no interesse da classe operária.”

O Socialismo  Conservador ou Burguês, O Manifesto Comunista, 1848.




No séc. XX, durante a Guerra Fria, numa ordem mundial bipolar e antagônica entre o capitalismo e o socialismo estatal, o Brasil sob governo de João Goulart, através das reformas de base do Plano Trienal, tinha como meta uma maior intervenção do Estado na economia, mas foi interrompido por um golpe de estado apoiado pelos militares e civis opostos a esses planos vigentes, ou seja, reacionários à uma revolução no sistema econômico, as tantas que esse golpe de estado também é conhecido como Contrarrevolução de 64, contrário à qualquer revolução socialista no país.
Logo, é possível observar que o individuo reacionário apresenta características, bases politicas e culturais, diferentes em contextos históricos diversos.
 
Atualmente, neste Brasil de meu deus, o reaça é representado pelo estereótipo de extrema direita em que como antítese encontra o revolucionário de extrema esquerda. Ambos são intensamente julgados de forma pejorativa pelos seus opostos, principalmente por diferenças ideológicas influentes no século XX, mas que agora representam apenas um enfrentamento cultural e não também politico. Isso se dá a uma falta de representação governamental sofrida por ambas as partes, onde partidos são bem mais ambíguos do que o ansiado pelos reacionários ou revolucionários de chavão deste fabuloso século, acaba que de forma errônea, aquele não como sinônimo de conservador, sim e só “anti-comuna”, e esse não como o de progressista, sim e só “pró-comuna”.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

A Superstição do Hipster.


Para Durkheim a sociedade é dividida em grupos cada individuo pertence a um, porem falarei de um grupo especifico conhecido como “Hipsters” que geralmente estão presentes na classe média branca nos estados unidos, Inglaterra e também existem as ramificações em outros países como o Brasil, por exemplo, se expressam de alguma forma. Algumas idéias Hipster são superficiais e geralmente se preocupam em parecer ser ao invés de serem de fato. As buscas  para estarem cada vez mais distantes da cultura “Mainstream” fazem dos Hipsters  se tornarem seres previsíveis e condicionados. Bom, para chegar a essa tese procurei a origem dessa identidade, comportamentos comuns entre membros e suas contradições.
Nos anos 40, o termo hipster (ou "Hipster" ou “Hep Cat") era usado para descrever os apreciadores de jazz urbano afro-americano que frequentavam as redondezas do Harlem (bairro de Nova York). A primeira critica aparece nos anos 50, o escritor americano Norman Mailer muda completamente a representação pública dos Hipsters ao descrevê-los como “O branco da classe média urbana que gostava de sair da zona de conforto da cultura branca de classe média para ir a clubes de jazz, geralmente frequentados por negros”. Observe que entre a década de 40 e 50 houve a criação de uma ideia de fuga da cultura capitalista massificada , ao invés do indie-rock, MPB e outros  que não são considerados mainstream, o Jazz foi o objeto idealizado para que essa fuga da cultura “mainstream” acontecesse. Repare que esta sendo feita uma comparação entre o hipster de hoje e o hipster da década de 40 e 50. O que essa origem influência nos dias de hoje? Bom, Norman Mailer havia afirmado que os Hipsters eram brancos de classe média, isso continua ate hoje (são de escolas particulares e cor de ele é branca). Querendo ou não, o estilo Hipster e um estilo elitista, pois para consumir os produtos cultuados por esse grupo no mínimo deve pertencer a classe média.
Após décadas em 1994 o tema volta a ser comentado na revista Times (a matéria de capa dizia "If Everyone Is Hip... Is Anyone Hip?”, algo como “Se todos são Hipsters... então qualquer um é Hipster?”).A identidade também sofrendo criticas, se o intuito  de ser hipster e ser distinto, então são sujeitos querendo ser diferentes mas acabam sendo idênticos  a outros que também tentam ser  underground eis ai o “Superstição dos Hipster” em achar que o mainstream e o underground são antagônicos, onde na verdade estão no mesmo lado da moeda. Dialoga também no paradigma da tatuagem , tatuam-se para  tornarem-se diferentes das outras pessoas e acabam  tornando-se  iguais a outras milhares que já se tatuaram.

A terceira volta dos Hipsters na mídia ocorre em 2003, quando dois livros satíricos são publicados e a reação contra eles começa a se cristalizar. A partir daí, começam a surgir vários outros blogs, vídeos e outros trabalhos satirizando-os. Alguns sites e páginas no Facebook evidenciam através do humor o comportamento contraditório e forçado de alguns Hipsters, Recentemente uma pagina de Humor no Facebook chamada “Todos contra o Indie” fez uma critica que evidência as incoerências nesse movimento, uma das publicações dizia “Tiram fotos tomando café do Starbucks, mas não tomam o café preto na casa das avós” outro site brincou: “Usam óculos enormes de grau sem precisarem apenas para se passar de intelectual”. Possuem um objetivo : se afastar o Maximo das coisas mainstream e buscarem serem inovadores e criativos mas seguem um padrão que por incrível que pareça pouco varia, óculos de sol e de grau  grandes dos anos 80, blusa do Joy Divison , Arctic Monkeys , quase sempre  com comentários breves, pouco profundos, sobre  as fotos de seus livros que a maioria das vezes estão fechados e raramente fazem uma resenha crítica falando de cada obra postada,, usam apenas o visual, são superficiais e possuem pouco conteúdo critico e aprofundado, é um estilo apenas de objetos, blusas, óculos e Livros fechados. Retomando a tese se preocupam em parecer ser ao invés de realmente ser, são a geração classe média coca-cola.

Um Pouco Mais de Narcisismo.


Não temos uma definição universal para o que é vida, porém podemos identificar traços que nos encaminha para futura resposta que há em nossa cultura (ocidental capitalista) um desses  traços  será a tese desse texto, que é: as dualidades presentes em nossas vidas “o que realmente sou e o que desejo ser?” veremos que há desigualdade na ênfase nessas duas questões. Essa ideia aparece também no filme Clube da Luta, é umas das principais razões para as pessoas buscarem a religião e um alimentador do consumismo.

No filme Clube da luta o personagem “Jack” que exerce a função de narrador personagem cria uma dupla personalidade, alguém que é tudo o que ele gostaria de ser, bonito, bem vestido, inteligente, possui carro luxuoso,não trabalha em um escritório, mora em uma casa velha ou seja, ele cria uma vida completamente diferente comparada a que ele tem. Esse tipo de dualidade acontece em nossas vidas, mas de uma maneira um pouco diferente para a maioria das pessoas, começamos a idolatrar sujeitos que são aquilo que jamais seremos exemplo: famosos, talentosos, ricos etc. A mídia exerce a função de criar indivíduos para serem nossos ídolos, esses personagens cantam bem, namoram pessoas que nos somos loucos para namorar, possuem habilidades que gostaríamos de ter e com isso nos tornamos cada vez mais insatisfeitos com nós mesmos. Por conta disso, a idolatria funciona como uma espécie de fuga, cultuamos quem é aquilo que queremos ser. A diferença desse tipo de dualismo ao dualismo presente no Clube da Luta é que não somos responsáveis pela criação de nossos ídolos e sim a mídia, já no filme e o próprio autor que cria o seu Herói.

Esse pensamento também esta presente na religião cristã, pelo fato de sermos insatisfeitos com a nossa existência, construímos a ideia de que haverá outra vida na qual todo nosso sofrimento terráqueo acabará, da mesma forma construímos alguém que é perfeito (Jesus cristo) que fez coisas que nós não somos capazes de fazer exemplo: milagres, foi puro, não cometeu pecado, ou seja, um ser utópico. Como dizia Nietzsche “só existiu um cristão, Jesus Cristo”. Se pensarmos que várias pessoas conseguissem alcançar todos os seus feitos, ele não seria tão idolatrado assim, o motivo pelo qual cristo e idolatrado ate hoje é que nenhum cristão conseguiu ser idêntico a ele.

O capitalismo talvez seja a morfina para esse problema, ele nos da o consumo para nos satisfazer por pouco tempo ate o próximo comercial nos dizendo que acabamos de comprar algo que não esta mais na moda. Ou também exerce a função de nos parecermos com os nossos ídolos comprando roupas parecidas, cortes de cabelo, produtos com suas fotos etc.

Como dizia Cazuza, Frejat “por você eu aceitaria a vida como ela é” isso para ele e considerado como um esforço e realmente é, são tantas coisas que nos tiram da realidade que talvez passaremos toda a vida sem olhar para quem nos somos, qual nosso papel, nossas qualidades perdemos um pouco do nosso  narcisismo Outra banda que  aborda esse tema é O Rappa na música “o que sobrou do céu” em  um trecho ele diz: “Fez da TV um espelho refletindo o que  a gente esquecia”. A televisão desligada nos reflete algo que nós esquecemos, nós mesmos. Já passou do tempo de termos nossa própria personalidade e finalmente ser.