“adj (reação+ário) 1. Pertencente ou relativo ao partido da reação ou ao seu sistema. 2. Que se opõe às ideias políticas de liberdade individual e coletiva; retrógrado. sm Sectário da reação política ou social; homem antiliberal.”
Essa é a definição de re.a.ci.o.ná.rio encontrada num dicionário atual e onde, ainda assim, crua, acaba possibilitando equívocos em contextos históricos diferentes, já que a mesma palavra pode ser usada como característica de vários ideais, contanto que retrógrados, opostos aos planos vigentes.
No século XVIII, era usada para nomear o âmbito contrário à Revolução Francesa, os ditos reacionários defendiam a volta ao Ancien Régime, sistema aristocrático que desenvolveu-se ao fim da Idade Média e também dividiu a sociedade francesa em três estados: o primeiro, representado pelo clero, o segundo, pela nobreza, e um terceiro, pela burguesia e os camponeses, esse, sendo o mais desafortunado às decisões impostas pelos outros dois. Logo, ao termos que o reacionário é aquele com sentido a um estado anterior, também temos que o clero e a nobreza daquele século possuíam tal ideal retrógrado, já que a “Liberté, égalité, fraternité” favorecia apenas ao terceiro estado e principalmente a burguesia.
No séc. XIX, não só a aristocracia feudal arruina-se com a revolução, a influencia do crescente liberalismo e capitalismo industrial dá origem a uma nova burguesia que domina a revolucionária do século passado. Em O Manifesto Comunista, Marx e Engels julgam como reacionárias várias das ideologias socialistas derivadas dessa pequena-burguesia dominada que almeja um fim egocêntrico e não de fato igualitário.
“As classes médias - pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos, camponeses - combatem a burguesia porque esta compromete sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da História. Quando são revolucionárias é em conseqüência de sua iminente passagem para o proletariado; não defendem então seus interesses atuais, mas seus interesses futuros; abandonam seu próprio ponto de vista para se colocar no do proletariado.”
Burgueses e Proletários, O Manifesto Comunista, 1848.
“Livre câmbio, no interesse da classe operária! Tarifas protetoras, no interesse da classe operária! Prisões celulares no interesse da classe operária ! Eis sua última palavra, a única pronunciada seriamente pelo socialismo burguês.
Ele se resume nesta frase: os burgueses são burgueses - no interesse da classe operária.”
O Socialismo Conservador ou Burguês, O Manifesto Comunista, 1848.
No séc. XX, durante a Guerra Fria, numa ordem mundial bipolar e antagônica entre o capitalismo e o socialismo estatal, o Brasil sob governo de João Goulart, através das reformas de base do Plano Trienal, tinha como meta uma maior intervenção do Estado na economia, mas foi interrompido por um golpe de estado apoiado pelos militares e civis opostos a esses planos vigentes, ou seja, reacionários à uma revolução no sistema econômico, as tantas que esse golpe de estado também é conhecido como Contrarrevolução de 64, contrário à qualquer revolução socialista no país.
Logo, é possível observar que o individuo reacionário apresenta características, bases politicas e culturais, diferentes em contextos históricos diversos.
Atualmente, neste Brasil de meu deus, o reaça é representado pelo estereótipo de extrema direita em que como antítese encontra o revolucionário de extrema esquerda. Ambos são intensamente julgados de forma pejorativa pelos seus opostos, principalmente por diferenças ideológicas influentes no século XX, mas que agora representam apenas um enfrentamento cultural e não também politico. Isso se dá a uma falta de representação governamental sofrida por ambas as partes, onde partidos são bem mais ambíguos do que o ansiado pelos reacionários ou revolucionários de chavão deste fabuloso século, acaba que de forma errônea, aquele não como sinônimo de conservador, sim e só “anti-comuna”, e esse não como o de progressista, sim e só “pró-comuna”.

